Ouvimos quantas vezes a seguinte frase? “Futebol, religião e política não se discute”. Bom, quanto aos dois primeiros assuntos, vá lá, mas não discutir política me parece uma coisa insana, sem sentido, uma forma de lavar as mãos, pois política é discussão pura. Assim, venho expor minha opinião sobre o segundo turno da eleição presidencial, que acontece neste domingo. Antes de qualquer coisa, reptito: não tenho nenhuma filiação partidária, porque as siglas são basicamente tudo farinha do mesmo saco, com pequenas diferenças ideológicas - se é que hoje existe ideologia. O que pretendo falar é sob a ótica social.
Não viveremos neste domingo um mero plebiscito entre dois “modelos” de administração - o de Fernando Henri-que Cardoso (PSDB) e o de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que governaram o Brasil nos últimos dezesseis anos. Porém, é inevitável fazer comparações, pois José Serra e Dilma Rousseff são seus legítimos representantes, não apenas pela simples questão partidária, mas política e administrativamente. Foi durante o governo de FHC que foi feito o Plano Real, criando condições para a estabilidade econômica? Foi. A estabilização da moeda foi boa? Foi. Foi durante a Era FHC que tiveram início alguns programas sociais? Foi. Isso é inegável. Por outro lado, também é inegável (e tem gente que não dá o braço a torcer) que foi agora, durante a Era Lula, que a economia brasileira de fato bombou e os programas sociais foram ampliados de maneira considerável - socorrendo quem de fato precisa -, nascendo uma condição única para o país crescer. Ao colocarmos na balança o que fez FHC e o que fez Lula, é bastante óbvio que Lula fez muito mais. Vejamos, pois.
Entre 1994 e 2002, a miséria atingiu 27,8% da população brasileira, em média. Entre 2003 e 2009, a média caiu para 20,07%. Quem diz é a Fundação Getúlio Vargas. No governo FHC, foram gerados 5 milhões de empregos. No governo Lula, 15 milhões. A fonte é o Ministério do Trabalho. O Produto Interno Bruto cresceu, em média, 2,3% durante o período FHC. Agora, sem contar o excelente ano de 2010, cresceu 3,55% ao ano, em média (dados do Ministério da Fazenda). O PIB per capita, que era de R$ 4,4 mil, saltou para R$ 5,4 mil, segundo o Ipea. Lula pegou a taxa básica de juros (Selic) em 26,5%. Hoje a taxa está em 10,75%, conforme informações do Banco Central. Em 1995, com um Salário Mínimo, segundo o Dieese, adquiria-se uma cesta básica; até o final do ano passado, 2009, o Salário Mínimo tinha o poder de adquirir duas cestas básicas.
FHC não criou nem uma universidade federal em oito anos. Lula criou quatorze, conforma a “Folha de São Paulo” e o “Globo.com”. O governo FHC criou onze escolas técnicas. O governo Lula, duzentas e quatorze. Puxa vida! Imagine se ele não fosse “analfabeto” e “ignorante”, como alguns sabichões o consideram. Vamos falar em corrupção? Vamos! Nos tempos do sábio sociólogo Fernando Henrique Cardoso, diz o blog “O Tijolaço”, a Polícia Federal realizou 28 operações. Agora, com o ex-operário, foram 1.043 (!), muitas das quais resultando na prisão de servidores públicos. Pergunta básica que não quer calar: qual dos dois governos varreu a sujeira para debaixo do tapete?
Mas tem mais: com a política externa do Governo Lula, o Brasil é nitidamente mais respeitado no cenário internacional (só não vê quem não quer ou não consegue) e passou de mero coadjuvante a um dos atores principais do mundo. Pelo jeito tem gente com saudade da época em que só se falava de futebol, samba e carnaval!!! Isso sem falar da relação do governo com a sociedade civil, item que também mudou positivamente nos últimos anos. Basta citar que o governo age de igual para igual seja com banqueiros ou com catadores de material reciclável. Quanta diferença... Meudeus! Realmente só não vê quem não quer - ou não consegue.
Dessa maneira, particularmente não tenho dúvida nenhuma que Dilma Rousseff é a melhor opção para governar o país, porque os indicadores sociais são claros e a população média percebe que melhorou de vida. Por essas e por outras, o atual grupo político merece, por seus próprios méritos, continuar no comando da nação, que adentra o Século XXI em um momento histórico não apenas à sua jovem e promissora democracia, mas também ao seu próprio povo, que, ao contrário do que gostariam alguns “formadores de opinião”, pensa por si mesmo. Votar em José Serra, na atual conjuntura, é votar contra o Brasil. E estamos conversados.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
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